segunda-feira, 24 de abril de 2017

Os Alunos da 6ª série!



     Minha tarde hoje foi com os alunos das sextas séries da E.E. Teófilo de Andrade.
    Fico sempre muito feliz em poder falar aos mais jovens, tentar mostrar a importância de se ler, de observar as coisas que estão à nossa volta. A importância de saber comunicar.
    Alguns participam ativamente, questionam, fazem comentários.... Outros, ah, os outros... são aqueles que se perdem em divagações.... Será que é por que acreditam que sabem de tudo, apesar da pouca idade? Será que o tema não os agrada? 
    Sei que nem sempre podemos agradar a todos, nem tocar o coração de todos, mas seria tão bom, se, enquanto jovens, fôssemos mais espertos e aproveitássemos todas as oportunidades que a vida nos oferece assim, de mão beijada. Talvez eu mesma tenha deixado de aproveitar algumas coisas que me foram dadas, quem sabe... 
    Enfim: dever cumprido!
Aos que puderam aproveitar, ótimo! Aos que não quiseram, fica pra outra vez....


Texto: Silvia Ferrante – Fotos de várias pessoas a quem agradeço!





















segunda-feira, 17 de abril de 2017

PRA SE PENSAR....



Lembro-me de alguns filmes e livros, onde as máquinas dominavam o ser humano. A gente se assustava, outros, nem ligavam, até riam disso tudo.
Pois é, o tempo passou e me parece que as máquinas, aos poucos estão vencendo...
Vou focar apenas em um assunto que considero muito sério; esse jogo(?), o tal “Baleia Azul”.  
Sei que existem pseudo-humanos por trás disso tudo, mas são as máquinas que fazem chegar essa loucura, aos que de alguma forma não estão felizes com o mundo em que vivem.
Que poder é esse? Como uma máquina, regida por alguém que as pessoas nem conhecem, podem manipular desta forma jovens e crianças?
Estou aflita, ainda mais quando ontem, em pleno domingo de Páscoa, li sobre a morte de mais uma brasileira.... É falta de fé na vida? É falta de amor-próprio? De orientação? Como uma pessoa pode deixar algo a controlar assim?
Estou profundamente triste e muito assustada. Meus dias não eram assim. Tive meus momentos “xaropes” na adolescência, afinal, quem não os tem? Mas deixar algo me dominar, a ponto de me conduzir à morte? Não isso não. A vida ainda é o nosso bem maior.
Pais, olhem para seus filhos. Filhos, olhem para si mesmos. Tudo é passageiro. Só a morte é definitiva.
Deixem-se viver! Aprendam, cresçam e multipliquem o amor que existe em vocês.
O amor é vida! Não destruam o dom mais bonito que receberam.
Por mais difícil que pareça ser, a vida é linda!

                   Texto e foto: Silvia Ferrante




PS: Espero que esses assassinos sejam pegos e presos. 

terça-feira, 11 de abril de 2017

O Escritor e as Crianças/Jovens

Acredito ser imprescindível que um escritor esteja perto de seus leitores para uma conversinha. Principalmente quando são crianças e jovens, que acreditam que o escritor é um "ser de outro mundo", uma pessoa que não existe de verdade...
Nessas minhas andanças pelas escolas de minha cidade e região, isso fica muito claro para mim. Então a gente conversa, responde perguntas, tira fotos, autografa livros e eles sentem, que também poderão, um dia, se quiserem, escrever, ou ter uma profissão que considerem incrível.
Nessas minhas andanças tento falar o máximo possível sobre a leitura, e a importância dela para uma boa comunicação. Tento falar de sonhos, que se eles existem, podem ser realizados com nossos méritos. 
Tento espalhar gentileza, coisa tão em falta no mundo de hoje...
E assim sigo minha jornada, espalhando sonhos e palavras por onde passo.

Hoje minha visita foi na E.E. Isaura Teixeira Vasconcellos, para os alunos de sextas a oitavas series.
Muito bom!

Texto Silvia Ferrante  - Fotos: Lyvia Lisi Alvarenga













sábado, 8 de abril de 2017

"SORRIR E CANTAR"



O show de ontem, “Sorrir e Cantar”, da cantora mineira/baiana, Jussara Silveira, foi mais uma prova concreta de como temos bons artistas, bons compositores e boas músicas em nossa tão detonada MPB.
Muitas vezes durante o espetáculo, viajei em sambas da minha adolescência, cantei com ela, coisas que nem me lembrava mais que existiam.
É importante, sem dúvida, os novos tempos, as novas tendências, mas não devemos nos esquecer de onde viemos, senão a gente acaba não sabendo para onde ir...
Hoje o que presenciamos é uma lavagem cerebral, e a grande maioria dos jovens e crianças não têm acesso a essas canções. Vejo uma realidade muito triste, a que eles estão expostos.
O Brasil não é apenas o lixo que se mostra; e o show de ontem, foi apenas uma pequena mostra das preciosidades que temos em nosso repertório musical.
Cada um que escute o que quiser, porém, não podemos privar as pessoas de conhecerem os dois lados da moeda.
Música boa tem melodia, tem letra, tem poesia….
O público em geral, nem tem interesse em conhecer nada, a não ser que esteja “bombando” na mídia. 
O show de ontem era para ter acontecido com o teatro lotado. Mas não. Apenas algumas pessoas apareceram.... Diferente desses galãzinhos que deixam meninas por meses na fila espertando para vê-los berrar algo numa língua que nem elas entendem.... Triste.
E o que dizer da Lan-Lan, menina batuqueira das boas, que ritmo, que simpatia, que talento, que gingado... O violão impecável do Muri Costa e sua voz melodiosa, e a delicadeza do toque, e claro, o poder, a voz e a interpretação de Jussara Silveira, a quem presto aqui, minhas reverências...
Tomara que voltem! Tomara que muitas pessoas venham vê-los! Sonhar sempre para não morrer...
Muito axé a vocês que nos encantaram….

São João da Boa Vista, 08/04/2017

Texto: Silvia Ferrante - Foto: Assessoria da Cantora Jussara Silveira


quarta-feira, 5 de abril de 2017

“CENAS DA INFÂNCIA”



Éramos quatro crianças no quintal da casa da minha avó: eu, minha irmã Lília, a vizinha, Telma e meu primo Paulo.
Aquele quintal era rico em aventuras. A velha parreira era a caverna que explorávamos buscando tesouros; as galinhas, monstros terríveis a nos aterrorizar.
A jabuticabeira era nossa nave mãe e lá íamos nós “Perdidos no Espaço”. Varávamos o dia brincando, sempre uma nova aventura. Uma pane na nave, a captura por um ser alienígena, o sumiço de um dos tripulantes, era tudo muito bom.
Eu e a vizinha sempre disputávamos a atenção do coitado do nosso comandante.
A coisa ficava feia algumas semanas do ano, em que nossa nave era tomada por seres de outro planeta. Eram seres pequeninos que infestavam nossa nave de cima abaixo. Tinham a forma de bolinhas pretas que nós destruíamos vorazmente uma a uma. Eram doces nossos invasores. Na grande maioria das vezes, acabávamos com eles sem problemas, a não ser uma dorzinha de barriga causada pelo exagero da “destruição”. Porém, nossos invasores tinham aliados perigosíssimos, chamavam-se marimbondos, eram navezinhas que zumbiam e que tinham armas extremamente doloridas, ai de quem não se cuidasse, era picada na certa e choro por vários minutos.
Em baixo da jabuticabeira, ficava Rumba, a cachorra boxer do meu tio Paulo (como tinha Paulos nessa família...). Rumba era uma santa criatura que aturava pacientemente nossas estripulias e participava ativamente de muitas delas. Até nos ajudava a destruir os doces inimigos.

Que delícias as jabuticabas da casa da minha avó!

Texto e foto: Silvia Ferrante       

                              

terça-feira, 4 de abril de 2017

“PAISAGEM DA MEMÓRIA”



Uma cachoeira
Muito verde
Pessoas intensas
Uma vida inteira
Um pedaço de mundo
perdido entre a Mantiqueira

Um casarão antigo
Um moinho ao vento
Muita água, frutas, vida
E a certeza da felicidade

Um cemitério de cachorros
Uma senzala, o jardim misterioso
Um fogão à lenha aceso o tempo todo
A fogueira que se acendia a noite
As vozes ao redor desse fogo

O frio que o calor das almas aquecia
E o céu... Ah! O céu
Com suas estrelas, cadentes ou não
Seus mistérios e suas luas
É pra lá que eu vou

Lá eu sou...

Dedico esse pequeno poema aos meus amigos-irmãos, que comigo viveram esse tempo mágico, que foi nossa adolescência... Eles sabem quem são....

Poema e foto: Silvia Ferrante


domingo, 2 de abril de 2017

História de Hospital


 Havia sido contratada para ser a supervisora de Enfermagem do Pronto Socorro e Ambulatório do único hospital daquela cidade de interior.
Não tinha experiência alguma nesta área, pois ao contrário do que muitos pensam, a escola nos dá muita teoria, mas a prática que é bom, nada, e não me venham dizer o contrário, vivi na pele.
Depois que me formei, trabalhei apenas na Saúde Pública, que sei ter seus inúmeros méritos, mas não era para mim, então pegar assim, “de mãos vazias”, um serviço de pronto atendimento era um dos maiores desafios que já havia me deparado na vida.
Primeiramente vem o descrédito dos funcionários mais antigos de que daria conta do recado, depois o olhar desconfiado de médicos e suas auxiliares, suas sim, pois naquele tempo, não haviam auxiliares homens.
Minha equipe era restrita: eu e mais dois auxiliares por plantão e só. Daí quando chegava um acidente de maiores proporções, toca acionar o pedido de ajuda, e vinham auxiliares de todos os lados, mas sem a necessária experiência a um bom e completo atendimento.
Vou chamar de “auxiliares”, todos os atendentes e técnicos da época, pois a nomenclatura era diferente do que temos hoje.
Minha primeira semana já começou com alguns fatos inusitados e que até hoje vivem em minha memória.
Ainda tentando gravar tudo o que me mostravam, levando broncas de médicos plantonistas porque deixaram o laringoscópio com pilhas vencidas e coisas assim, chegou ao local um homem mulato, maltrapilho, alto e gritando que ia morrer. Neste momento eu me encontrava sozinha, pois os auxiliares estavam levando um paciente para a internação.
Cheguei até o tal homem e com jeito tentei acalmá-lo para saber o que estava acontecendo com ele. Ele muito afoito me respondeu que havia sido picado por uma cobra e que ia morrer, dizendo isso me mostrou a mão com sinal de picada, com um pouco de sangue. Disse-lhe que estava no local certo, pois tínhamos o soro, ele tomaria e ficaria bom. Que não se preocupasse, pois tudo se resolveria e ele não iria morrer. Daí lhe perguntei o “clássico”:
- O senhor viu que cobra o picou?
Ele olhou pra mim e, tirando uma cobra preta do bolso a esticou em minha direção, eu que sempre tive pavor de cobras, saí correndo para o pátio e o deixei sozinho segurando aquele bicho.
O pessoal ouvindo a confusão veio ver o que estava acontecendo e eu expliquei o caso rapidamente. Enquanto os funcionários riam de minha estupidez, um deles me disse que aquele senhor era um dos “fregueses”, que sempre buscava atenção. A cobra era uma dessas de jardim, que não faziam mal a ninguém. O ferimento na mão ele provavelmente o fez, para que alguém acreditasse em sua história.
Assim, fui devidamente “batizada” em meu novo emprego.

Foto/texto: Silvia Ferrante
(Na falta de foto de cobra, usei uma de aranha, bicho que sempre chegava também)