segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Show Relicário!


  E quem disse que a Escritora não canta? Canta e desde sempre!
Comecei nas "Artes", cantando. Aliás, minha mãe conta que antes mesmo de aprender a falar, já cantarolava pela casa.
Tive um tio pianista, Paulão Ferrante, (como todos o chamavam), que esteve sempre ao meu lado. Um dia, cedo demais, ele partiu e foi tocar piano nas nuvens, onde existe uma Luz que aqui, ele não encontrou. 
Hoje deve estar lá, tocando para Elis Regina, sua grande paixão.(e minha também).
E eu, que pisei num palco pela primeira vez aos 14 anos para cantar, não parei mais.

Hoje vou contar um pouco do meu último espetáculo, o Show Relicário

Fui chamada pelo lindo Fábio Nogara para que fizesse a produção e cantasse com ele em seu primeiro show "solo", que acabou sendo show em duo, rsrs.
Escolhemos para tal evento três das mais brilhantes cantoras da nossa boa e velha MPB: Adriana Calcanhoto, Cássia Eller e Marisa Monte. Tiramos os maiores sucessos de cada uma e, acompanhados de três músicos incríveis, fizemos duas apresentações aqui na cidade de São João da Boa Vista - SP, num novo espaço cultural; o Coletivo Baluarte, do amigo querido Antônio Domec. 
Os músicos que nos acompanharam foram: Julio Lima no violão; Maurício da Silva no baixolão e Carlos Mahatma, na percussão. 
E nós cantamos, e nos divertimos muito realizando este espetáculo.Foram duas apresentações incríveis, com casa cheia e público super participativo. 
Valeu cada minuto....
A gente não ganha grana com isso, mas a alma se enriquece!


Texto: Silvia Ferrante   Fotos: Júlia Lisi (imagens dos dias 08/07 e 26/08)















quinta-feira, 24 de agosto de 2017

ADOLESCÊNCIAS  
quem disse que escritora não fotografa????

TUMBLR - Rede social onde sentimentos expostos com carinho e amor através de frases fotos e outros com o intuito de se expressar apenas com isso.
TUMBLR GIRL - Tumblr é uma rede social de fotos em formato de blog. Tumblr girl então virou uma gíria para caracterizar o padrão e os estilos daquelas que usam o Tumblr para postar suas fotos.

Quando Júlia Lisi, minha neta, me pediu para fazer fotos “TUMBLR”s para ela, fui buscar o significado, para mim, ainda desconhecido, do que seria essa nova “onda” entre as adolescentes. Me deparei com fotos gostosas de se fazer, uma brincadeira, coisas de adolescentes...
Assim surgiram essas fotos, que quis dividir com vocês; uma pequena parte do trabalho que realizamos durante um dia inteiro, resultando em 680 fotos.

AGRADECIMENTOS:

Ao “Anjo”- João Gabriel Bruscato – que fez a produção.
Ao lindo “Moreno”- Antônio Domec – que além de ceder esse espaço para as fotos, ainda foi um super parceiro durante o trabalho.
Salve o Coletivo Baluarte!
À paciência e colaboração da “Top”- Júlia Lisi dos Santos.

Fotos e Maquiagem: Silvia Ferrante

Agosto de 2017





































terça-feira, 25 de julho de 2017

FELIZ DIA, ESCRITORES!


escrever nada mais é
que guardar um momento
resgatar um pensamento
eternizar uma hora

na escrita está a vida
o sentimento
a angustia de quem
em palavras, chora
a alegria
o desprendimento

e nessa vida
que não é eterna
são as palavras 
que vão registrar 
as imagens
que vão guardar 
as mensagens
que não vão deixar 
a folha em branco


Poema: Silvia Ferrante 
Foto: Fritz 

     Poeta Sanjoanense: 
Orides Fontela 

segunda-feira, 17 de julho de 2017

CREPÚSCULO




Moro na cidade dos “Crepúsculos Maravilhosos”, e o encantamento que esse momento proporciona, é sempre indescritível. O que mais tenho são fotos de pores-do-sol, não me canso de olhar para eles e fotografá-los.
Impossível não se sensibilizar diariamente com o espetáculo que a natureza nos oferece. Presente de Deus, momento mágico. E para mim, um poema em constante movimento.
Possuo muitas imagens sobre esse tema específico. Ver chegando o final da tarde, e poder se encantar com essa beleza, nos diversos locais, onde o sol abraça a cidade e a montanha, não tem explicação.
A nós, resta apenas agradecer o dom da visão, que nos permite  vislumbrar, dia após dia, cenas assim.
Sinto por aqueles que, por causa de sua pressa diária, deixam de se maravilhar com esse espetáculo. 
Todos nós deveríamos olhar um pouco mais para o céu, para todas as coisas da natureza, o poder calmante que esses momentos nos trazem são maravilhosos, nos enchem de esperança para um novo recomeço.
O mundo nos consome de maneira não muito poética, por isso acredito na bênção que a natureza nos oferece, dia-a-dia, com esses espetáculos de luz e sombra, som e cores, singeleza e paz.

Somos UNO, homem e natureza! Não podemos viver separados, e é através do olhar, que recebemos essa bênção de continuar a nos maravilhar com a vida, que mesmo com tantas amarguras, continua a produzir, para nós, espetáculos dessa magnitude.



 Texto e Fotos: Silvia Ferrante








sexta-feira, 14 de julho de 2017

MULHERES.....

   

   As mulheres ainda estão engatinhando... Infelizmente.
   - Sim, a nossa sorte é que algumas correm, como Lobas Selvagens, me diz a amiga Cláudia Sarti.
   Observo por aí que nossa caminhada ainda nem começou de verdade.... 
   Ainda somos "O segundo sexo", o que tem menos importância e que pode ser usado como quiserem. 
   A gente esbraveja, tenta se impor, mas a coisa é feroz. 
   A sociedade é machista e, infelizmente, com muitas mulheres apoiando....
   Não estou falando nada além de que, quando a violência é contra a mulher, o abuso é contra mulher, muitos ainda parecem achar normal, inclusive com muitas mulheres apoiando essas atitudes.
   "Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é", já dizia Caetano Veloso em uma de suas canções; pois é, qual é a delícia de ser mulher numa sociedade machista? Parece que vejo mais dores....
   Caminhamos tanto e ainda estamos engatinhando... Não sei qual a solução, não tenho nenhuma fórmula mágica para esse problema. 
   De minha parte, tento mostrar fatos, quando faço minhas palestras. Tento conversar com as mulheres próxima a mim. 
   Sinto que a solução está na harmonia e na paz, mas não sei se saberia trabalhar com muita lucidez nestes casos, pois a revolta que certas coisas nos causam são muito grandes.
   Algumas mulheres, quando tentam usar da tal "liberdade de expressão", são duramente massacradas e perdem a alegria, ou talvez a esperança de tempos melhores.
   Acredito que ainda estamos meio perdidas nesse tiroteio de ideias e ideais...Que pena. 
   Conseguimos muita coisa; hoje já podemos até estudar, quando deixam. Mas e aí? O que fazer com essas informações todas? Como usar tudo o que aprendemos para que nossa sociedade nos respeite, enquanto mulheres, seres que carregam a vida dentro de si?

   Sim, as mulheres ainda estão engatinhando... 
   Infelizmente.

Silvia Ferrante - Texto e Foto



sexta-feira, 23 de junho de 2017

POR AÍ.....



Andando pela cidade e observando o enorme número de câmeras, cercas elétricas, guaritas de segurança, alarmes, etc, etc, comentei com meu marido essa nossa realidade tão triste....
Sua resposta foi enfática:
- “Isso é a prova da nossa derrota, da nossa incapacidade de viver como seres civilizados. E muitas pessoas acreditam que toda essa proteção, é sinal de status, de poder. Ledo engano! Isso é a maior prova de que fracassamos”.
Meu Deus! Que verdade! A que pontos chegamos. Hoje temos que nos “cercar” de cuidados, sermos prisioneiros em nossas próprias casas, porque o medo da violência já se instaurou no nosso mundo. Não podemos mais viver em paz.
Isso me deixa angustiada, e milhões de questionamentos veem à minha cabeça:
- Onde chegaremos?
- O que será de nós? O que será de nós? O que será???????



Texto e foto: Silvia Ferrante


quarta-feira, 21 de junho de 2017

"Aquele dia"

                            
Hoje remexendo antigos e-mails, me deparei com um, da minha linda e querida amiga, Suia Legaspe, atriz das mais competentes, que dizia o quanto havia gostado e devorado meu livro "A Primeira Dama". Da leitura do meu livro, ela se inspirou e escreveu o conto abaixo, que reparto com vocês. É minha humilde maneira de homenageá-la.... Beijo, Suia
                                              

                    AQUELE DIA

                        Despertou cedo como de costume. Ouviu, ainda do andar de cima, ruídos diferentes no quintal. Decerto preparativos para a festa daquela noite.
                        Arrancou de uma só vez o lençol que a cobria e a camisola fresca de algodão.             Do vitrô do banheiro, escovando os dentes, conferiu o céu vulnerável de dezembro. Nuvens brancas à distância anunciavam uma manhã ensolarada, tarde abafada e talvez chuva no final do dia.
                        Esse pensamento acelerou seu coração e, destrancando a porta pesada do banheiro, atirou-se à tarefa rápida de vestir-se. Uma saia escura e rodada um pouco abaixo dos joelhos, blusinha leve sem mangas e nos pés, alpargatas de lona. Tudo muito confortável e prático para aquele dia tão atarefado.
                        Saltava os degraus da escada que estalava enquanto ela descia deslizando suavemente uma das mãos pelo corrimão de madeira escura e tão seu conhecido. (No meio da noite gostava de fazer o percurso de seu quarto até a cozinha em total escuridão em busca de um copo d'água. Ia e voltava assim, no escuro. Puro prazer. Raros momentos em que a casa toda parecia silenciar. Mas, logo vinha o estalar da escada, as batidas do relógio da parede da sala de jantar, o pai no andar de cima indo ao banheiro ou algum irmão se virando no colchão de molas...Ela então parava no meio do caminho e esperava tudo novamente silenciar.)
                        Mas, naquela manhã suas mãos ágeis sequer notaram o corrimão.
                        Da cozinha vinha o cheiro de café coado, mas a mesa não estava posta como de costume. Estava coberta com uma toalha branca e várias taças de cristal estavam alí, de bruços, secando.
                        Suspirou...
                        No escorredor de pratos alcançou uma xícara grossa de louça. Serviu-se do café ainda quente no bule e completou com o leite gordo que descansava na leiteira coberta por uma peneira de metal.
                        Entre um gole e outro saudou a todos que iam e vinham em suas tarefas. Sentiu um pequeno aperto na boca do estômago. Seu corpo, acostumado à ansiedade antes das partidas de vôlei, se colocou em prontidão. Mas, ela voltou ao seu controle: - Não, hoje não haveria nenhuma decisão de campeonato ou jogo intermunicipal. Relaxou.
                        Lembrou-se do aviso da gentil senhora que comandava o clube onde jogava: - Venha bem cedo a minha casa e colheremos juntas as rosas mais frescas e firmes.
                        Não pensou em mais nada. Como atleta que era saiu em disparada em busca das flores prometidas. Foi recebida pela própria dona da casa que a conduziu aos roseirais que ficavam atrás de sua mansão. A visão era surpreendente!  Por mais que comentassem na pequena cidade  o quanto aqueles jardins eram extravagantes, jamais seria o mesmo que presenciar aquela dama, de tesouras em punho, acariciar e balbuciar palavras de amor enquanto agilmente colhia seu prometido ramalhete.
                        Dona Rosinha, assim era chamada essa dama, que cultuava e cultivava rosas. Escolheu para ela rosas cor de rosa. Como se quisesse afirmar através da cor e do substantivo seu próprio nome. Mas, a jovem aflita, nada percebeu.
                        Abraçada a seu ramalhete atravessou rapidamente a avenida principal e chegando à casa foi direto ao tanque procurar por baldes de flandres. Deixou alí, emergidas em água fresca, na sombra, as rosas rosas.
                        O telefone preto e pesado tocou forte o dia todo no escritório da casa. Amigos e parentes  ligavam para saber os últimos detalhes.
                        A tia chegou da cidade vizinha num carro grande trazendo, além dos filhos e marido, várias latas com doces feitos por ela mesma durante longas madrugadas. E roscas. Roscas trançadas e descansadas sobre uma mesa coberta por finas toalhas bordadas que espantavam as moscas, mas não resistiam aos pequenos beliscões das crianças gulosas.
                        E assim, ao sabor das horas compartilhadas a casa ia se ornamentando. Mobília  extra, como mesas e cadeiras iam sendo espalhadas nos quintais,salões e até mesmo no corredor amplo que ficava entra a casa e a garagem.
                        Para esse dia todos trabalharam muito e a casa então se abriu como fazia sempre nos seus grandes dias. Alí caberiam todos: ao redor das mesas fartas, confortáveis nos colchões preparados nos vários quartos que se entreligavam, no riso franco, no abraço familiar.
                        O sol já começava a alaranjar as paredes amarelas da casa e ela continuava com um pano úmido a limpar as mesas e cadeiras de armar que haviam alugado.
                        Seu tio, já de terno e brilhantina nos cabelos e bigodes, veio ao seu encontro no quintal. Mostrando as chaves do carro disse: - Cicinha, já está quase na hora de sairmos. Você precisa se arrumar!
                        Ela deixou de lado o pano de limpeza e correu escada acima para o banheiro. O chuveiro nem teve tempo de esquentar a água e ela já havia se ensaboado da cabeça aos pés e se enxaguado! Com a mesma rapidez secou-se, vestiu o vestido que estava desde há alguns dias pendurado num cabide em seu guarda roupas, fechou o zíper nas costas, calçou os sapatos brancos de saltos não muito altos e, na frente do pequeno espelho do banheiro, passou rapidamente o pente pelos cabelos sempre curtos enquanto coloria os lábios com o primeiro baton que encontrou por ali. Pensou em lixar as unhas, mas seu tio, já dentro do carro, buzinava acelerando-a.
                        Essa foi a última vez que saltitou pelos degraus daquela escada deslizando a mão direita pelo corrimão...
                        Na volta para aquela casa já seria outra mulher, com outros desejos e outras inquietações.
                        Afinal, aquele era o dia do seu casamento.


                                                                                                                      Suia Legaspe

                                                                                  São Paulo, 17 de maio de 2014.

Foto: Silvia Ferrante